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Betim foi palco, neste domingo (29), da assinatura de um Termo de Execução Descentralizada (TED) entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), com foco na implantação do projeto Museu Vivo da Colônia Santa Isabel, em Citrolândia. A cerimônia ocorreu no Centro de Memória da Hanseníase Luiz Verganin, com articulação da Prefeitura de Betim.
O acordo prevê o repasse de R$ 240 mil do governo federal para o desenvolvimento do projeto, que busca preservar a memória das pessoas que viveram na colônia, historicamente marcada pela internação compulsória de pacientes com hanseníase. A prefeitura será responsável pela coordenação local, além de oferecer suporte técnico e estrutural.
Durante o evento, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, destacou o caráter de reparação histórica da iniciativa. “O Brasil, infelizmente, teve no seu passado práticas segregadoras, que afastou filhos de pais. E hoje o Brasil faz uma política de reparação para toda essa população”, afirmou.
O reitor do IFMG, Rafael Bastos, ressaltou que o projeto ultrapassa o campo acadêmico. “Nós não estamos falando somente de um projeto de extensão, nós estamos falando também de uma história e uma página importante referente à questão da hanseníase no Brasil”, afirmou.
Segundo ele, a iniciativa permitirá dar visibilidade a histórias pouco conhecidas. “É um trabalho que começa aqui e é importante não esquecer, porque a gente esquece muito fácil do nosso passado”, completou.
O secretário municipal de Cultura de Betim, Thiago Flores, destacou o impacto direto para a comunidade. “Na prática isso significa orgulho, felicidade e uma alegria muito grande”, disse.
Ele explicou que o projeto muda a forma como a história é vista. “O Museu Vivo faz o contrário. Ele mostra que a gente tem alegria, felicidade e orgulho da nossa história”, afirmou, ao destacar o potencial turístico da iniciativa.
O prefeito de Betim, Heron Guimarães, afirmou que o projeto representa um resgate necessário. “Nós temos aqui a consciência de que foi um lugar estigmatizado, e a gente não pode deixar essa história se apagar”, disse.
Ele também destacou os elementos que vão compor o espaço. “O Museu Vivo da Colônia Santa Isabel promete ser um dos museus abertos mais importantes do país. Nós vamos ter uma grande escultura às margens da BR-381, para dar visibilidade a essa história, e também vamos trazer um vagão histórico que simboliza como essas pessoas eram transportadas no período de isolamento”, afirmou.
Ela lembrou que o preconceito marcou gerações. “Tem muita história e isso precisa ser guardado na memória para que não aconteça de novo”, destacou.
O projeto prevê a realização de pesquisas científicas, entrevistas com moradores, produção de conteúdos educativos e audiovisuais, além da criação de um livro sobre a história da colônia. A proposta é transformar o território em um museu a céu aberto.
Com a iniciativa, a expectativa é consolidar a Colônia Santa Isabel como referência em memória, educação e direitos humanos, ampliando o acesso às narrativas da comunidade e fortalecendo o combate ao preconceito.