Opinião

A lei que pode salvar vidas em Betim está prestes a morrer

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A Câmara de Betim vota nesta terça-feira (14) a revogação total da lei que obriga segurança contra incêndio em locais de grande público. O artigo questiona por que a Prefeitura optou por revogar tudo, em vez de corrigir apenas o trecho problemático ou buscar um convênio com o Estado.
Reunião ordinária da Câmara Municipal de Betim no dia 16 de junho de 2026 — Foto: Henrique Carvalho
Reunião ordinária da Câmara Municipal de Betim no dia 16 de junho de 2026 — Foto: Henrique Carvalho

Nesta terça-feira (14), a Câmara Municipal de Betim vota o Projeto de Lei 143/2026, que revoga por completo a Lei Municipal 6261/2017. Essa lei obriga shoppings, casas de show, grandes lojas e locais com grande concentração de pessoas a manter uma unidade de combate a incêndio e primeiros socorros.

A justificativa da Prefeitura, assinada pelo prefeito Heron Guimarães (União Brasil), é jurídica: um parecer da Procuradoria-Geral do Município aponta risco de inconstitucionalidade, por suposta invasão de competência da União e do Estado sobre o tema.

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O problema não é discutir se a lei tem falhas. Pode ter. O problema é a solução escolhida: revogar tudo, de uma vez, sem colocar nada no lugar.

Existiam outros caminhos. A Prefeitura poderia ter corrigido apenas o trecho da lei que trata da regulamentação da profissão de bombeiro civil, mantendo a exigência de segurança para o público. Poderia também ter buscado um convênio com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, como prevê a própria Lei Federal 13.425/2017, a Lei Kiss, criada depois da tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), que matou 242 pessoas.

Sem a lei municipal, Betim não fica totalmente sem regras: o Estado continua exigindo brigada de incêndio pelas normas do Corpo de Bombeiros. Mas o Município perde seu próprio instrumento de fiscalização, a multa municipal e o poder de negar ou cassar alvará de quem descumprir.

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Isso significa menos força local para cobrar dos estabelecimentos que recebem grande público em Betim. E significa depender só da fiscalização estadual, que já é conhecida por dar conta de um número muito grande de edificações em todo o estado.

A pergunta que fica para os vereadores, antes do voto desta terça-feira (14), é simples: por que revogar tudo, em vez de corrigir o que precisa ser corrigido? A segurança contra incêndio em locais de grande público não é um detalhe técnico. É vida de gente.

Betim não deveria esperar uma tragédia para descobrir que abriu mão de uma ferramenta própria de fiscalização.

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