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Pais, alunos e representantes sindicais se reuniram na manhã deste sábado (27) na Escola Estadual João Paulo I, em Betim, em assembleia convocada para tratar de assuntos internos da escola e para discutir a proposta do governo de Minas Gerais de transformar a unidade em Colégio Tiradentes da Polícia Militar (CTPM).
A diretora da escola, Janaína de Paula Oliveira, revelou que a comunidade foi surpreendida pela decisão e que soube da mudança por meio de um veículo de imprensa. “Foi uma atitude que nós não fomos consultados, a gente não recebeu nada por escrito, então eu também, enquanto gestora, não consigo dar uma resposta para os pais”, desabafou.
Oséias Santos, que tem uma filha no curso técnico em química, foi enfático ao rejeitar a proposta. “Sou totalmente contra transformar a escola em uma escola militar, tendo em vista que a escola pode admitir, inclusive, filhos de militares. Agora, o inverso não é possível, considerando que a gente ficaria na quarta prioridade, a última prioridade”, explicou.
Questionado sobre onde colocaria a filha caso ela perdesse a vaga, Oséias foi direto: “Infelizmente não. Não tem local para colocar minha filha.” E fez questão de ampliar o olhar para além do seu caso. “Independente de minha filha estar já formando na escola, eu acredito que os pais que têm os filhos aqui hoje, no primeiro, segundo ano, e os que têm para entrar — a fila é extensa —, não têm local para colocar seus filhos.”
O diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Zé Luiz, classificou o anúncio do governador Mateus Simões como uma surpresa para toda a comunidade. “A Escola Estadual João Paulo I é uma escola de tempo integral, que tem cursos técnicos e tem um convênio com o Senai. É uma escola em Minas Gerais que é referência do sucesso da escola de tempo integral”, destacou.

Zé Luiz também questionou o destino dos alunos caso a mudança se concretize. “A pergunta é: onde irão os nossos alunos? Uma vez que a legislação aprovada pela Assembleia Legislativa aponta que a prioridade nos colégios Tiradentes são os filhos de militares, segundo os filhos dos funcionários, terceiro filhos, netos e netas de militares aposentados, e no final a comunidade, por sorteio”, explicou o sindicalista.
O dirigente deixou claro que a entidade não é contrária à existência de Colégios Tiradentes em Betim, onde já funciona uma unidade no bairro Cidade Verde. A proposta é que uma nova escola militar seja instalada em outro local. “Que discuta com o prefeito municipal, Heron Guimarães, uma área para que possa ser destinada. Não desalojar a comunidade escolar, alunos, professores, de uma escola que já está funcionando com sucesso”, disse.
Xeréu pediu ampla participação da comunidade na audiência. “O Colégio João Paulo I é um colégio que tem uma história muito grande, está no coração do betinense. Todo mundo está muito magoado com essa decisão”, disse. A data do evento ainda não foi divulgada.
O anúncio da conversão foi feito em 29 de maio pelo governador Mateus Simões durante cerimônia em Sete Lagoas. Betim integra um grupo de oito municípios incluídos nessa etapa de expansão da rede. Na última segunda-feira (22), a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou audiência pública sobre o assunto, mas o governo não apresentou o diagnóstico técnico que embasaria a decisão.