Sem tempo para ler? A ferramenta de IA resume para você

O Partido Liberal (PL) tem hoje, em Betim, uma bancada de quatro vereadores — quase 17% dos 23 parlamentares da Câmara Municipal. Na teoria, isso deveria significar força política organizada. Na prática, o que se vê é um partido sem rumo definido, dividido entre lealdades que não se encontram.
Layon Silva preside o diretório municipal da legenda. É, portanto, quem deveria comandar politicamente o partido na cidade. Mas está na oposição ao governo do prefeito Heron Guimarães (União Brasil). Enquanto isso, Alexandre Xeréu, colega de partido, ocupa a liderança de governo na Câmara — o posto de maior proximidade com o Executivo que um vereador pode ter.
Paulo Tekim, vice-presidente da Câmara, também está na base do governo. Toninho da Farmácia completa a bancada, também alinhado à base, mas com atritos públicos já registrados com a gestão de Heron Guimarães.
Ou seja: o presidente do partido está isolado. A maioria da bancada segue outro caminho.
Essa divisão fica ainda mais clara quando se olha para o apoio dos vereadores a candidatos a deputado estadual nas eleições deste ano. Xeréu apoia um candidato do Republicanos. Tekim apoia um nome do PSB, partido historicamente identificado com a esquerda — campo oposto ao do PL. Só Layon e Toninho mantêm a coerência de apoiar candidatos do próprio partido.
Um partido que reúne quase um quinto da Câmara, mas não consegue nem colocar sua bancada atrás dos próprios candidatos a deputado estadual, dificilmente vai conseguir força de mobilização. E os fatos recentes confirmam isso.
Quando o deputado federal Nikolas Ferreira, hoje a principal liderança de projeção nacional do PL, esteve em Betim em ato de campanha, a adesão local foi fraca. Mas o dado mais revelador veio depois: em ato do ex-prefeito Vittorio Medioli, também do PL e uma das principais referências históricas do partido na cidade, nenhum vereador da legenda apareceu.
Nem a referência nacional, nem a referência local do partido em Betim conseguiram reunir a própria bancada. Isso não é falta de agenda ou coincidência de horário. É reflexo direto da dispersão de apoios a candidatos ao Estadual, que já rompeu até a cortesia política mínima com uma das figuras mais importantes da história do PL na cidade.
O que existe hoje é uma legenda numericamente relevante, mas ocupada por interesses individuais — cada vereador seguindo sua própria estratégia eleitoral, sem que isso passe pelo aval, ou sequer pelo conhecimento, de quem deveria coordenar o partido localmente.
Resta a pergunta: o PL em Betim ainda é um projeto político, ou apenas uma sigla que cada um usa como convém?