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Fui à UPA Norte duas vezes recentemente. Nas duas ocasiões, fui bem atendido pelas enfermeiras e pelos médicos. O atendimento foi rápido, humano e resolveu o problema. Isso precisa ser dito antes de tudo, porque as críticas que faço aqui são pontuais.
Nas duas visitas, ao chegar no balcão de atendimento para fazer o cadastro, fui questionado pelo servidor sobre o motivo de ter escolhido uma senha preferencial.

No meu caso, trata-se de obesidade grau III, também chamada de obesidade mórbida, classificação estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para IMC acima de 40. Não é uma condição oculta. Não exige explicação. É visível e está amparada pela Lei Federal 10.048, de 8 de novembro de 2000.
A lei não exige que o cidadão se justifique. Não pede laudo, receita ou comprovação de nenhum tipo. O direito é garantido, e cabe ao servidor respeitá-lo — não questioná-lo.
O problema não é de má-fé. É de capacitação. Os servidores do balcão de cadastro precisam conhecer a legislação que rege o atendimento preferencial. Perguntar o motivo de uma senha preferencial, além de desnecessário, pode ser constrangedor e discriminatório.
Não sei os detalhes do caso dele, e não cabe a mim julgar a triagem clínica. Mas três horas de espera sem qualquer retorno ao paciente é algo que precisa ser olhado com cuidado. A secretária municipal de Saúde, Jaqueline Santana, precisa ter atenção a esse ponto. A gestão do fluxo de atendimento na UPA Norte merece avaliação.
A UPA Norte tem uma equipe clínica que merece reconhecimento. Mas um serviço de saúde de qualidade começa na porta de entrada — e se sustenta no cuidado com quem espera.