Coopedu: conheça detalhes do contrato entre a cooperativa e a Prefeitura de Betim

Documento traz cláusula sobre relação de emprego e um valor mensal por mediador diferente do que consta na ata da licitação

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O Portal Atalaia analisou o contrato assinado entre Betim e a Coopedu. O documento traz uma cláusula sobre “vínculo empregatício”, um erro de digitação no valor unitário dos mediadores (que não afetou o valor final pago), uma garantia contratual de 1% do valor total e uma troca na gestão do contrato ainda não formalizada no órgão oficial do município.
Tela do sistema de editais da Prefeitura de Betim — Foto: Henrique Carvalho
Tela do sistema de editais da Prefeitura de Betim — Foto: Henrique Carvalho

O Portal Atalaia teve acesso ao contrato assinado entre a Prefeitura de Betim e a Coopedu, cooperativa do Rio Grande do Norte contratada para levar mediadores e uma equipe multiprofissional às escolas municipais. A análise do documento traz alguns pontos que valem ser detalhados.

O contrato tem uma cláusula em que a Coopedu se compromete a arcar com todas as despesas trabalhistas, fiscais e previdenciárias “resultantes do vínculo empregatício com seus colaboradores”.

Em uma cooperativa de trabalho, conforme definido pela Lei 12.690/2012, os profissionais atuam como sócios, e não como empregados — a própria lei estabelece que esse modelo deve funcionar “sem a presença dos pressupostos da relação de emprego”. A expressão “vínculo empregatício” aparece nesse trecho específico do contrato firmado com a Coopedu.

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Esse mesmo tema — o de vínculo empregatício reconhecido entre trabalhadores e a Coopedu — já foi analisado pela Justiça do Trabalho em outro município que contratou a cooperativa, como o Portal Atalaia mostrou em reportagem anterior.

Outro ponto identificado foi uma inconsistência em um dos documentos anexos ao contrato. Nele, o valor unitário do mediador aparece registrado como R$ 4.720,90. Esse número é diferente do valor que a Coopedu ofertou e venceu na disputa da licitação, que foi de R$ 3.822,33, conforme consta na ata da licitação e no restante do contrato.

Uma conta simples mostra que o valor final do contrato corresponde ao número correto, e não ao número com erro. Veja a comparação:

ItemQuantidadeValor unitário corretoValor unitário com erroValor do item (correto)Valor do item (se usasse o valor com erro)
Mediadores educacionais19.572R$ 3.822,33R$ 4.720,90R$ 74.810.642,76R$ 92.397.519,72
Equipe multiprofissional96R$ 121.740,93R$ 9.605.581,44R$ 9.605.581,44
Aplicativo de gestão320R$ 525,46R$ 8.133.120,00R$ 8.133.120,00
TotalR$ 92.549.344,20R$ 110.136.221,16

Usando o valor com erro, o total do contrato seria de R$ 110,1 milhões — R$ 17,6 milhões a mais do que o valor que consta, de forma idêntica, no edital, na ata da licitação e no contrato assinado: R$ 92.549.344,20. O valor efetivamente a ser pago à cooperativa segue sendo esse último.

A garantia contratual

Contratos administrativos de grande valor costumam prever que a empresa contratada deposite uma garantia. Segundo a Lei Federal nº 14.133/2021 (art. 96), essa garantia serve para cobrir eventuais perdas e danos, multas aplicadas à contratada e indenizações devidas à Administração Pública, caso ocorram durante a execução do contrato.

A mesma lei estabelece que essa garantia deve corresponder a até 5% do valor do contrato, podendo chegar a até 10% em contratações de obras, serviços e fornecimentos de grande vulto, ou de maior complexidade técnica.

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A lei também permite que a garantia seja prestada de diferentes formas: caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, à escolha da contratada.

No contrato com a Coopedu, a garantia exigida foi de R$ 925.493,44, equivalente a 1% do valor total do contrato.

A gestão do contrato

Gabriela Carvalho Santos era a Secretária Adjunta de Inclusão e também a gestora responsável pelo contrato. Ela saiu do cargo no dia 12 de maio. Quatro dias depois, Veridiana Antônia foi nomeada para essa secretaria. Até agora, porém, o órgão oficial do município não publicou quem é o novo gestor do contrato, nem confirmou que Veridiana já assumiu essa função.

1 Comentário
Cláudia Maria da Silva
14 dias atrás

Por todo o descaso com as leis trabalhistas , para mim isso é um retrocesso a todas as lutas que a classe trabalhadora já teve até hoje é um total desrespeito com as pessoas que precisam deste trabalho na área da educação como em qualquer outra área em que forem impostas propostas tão absurdas como as deste contrato.

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