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Fátima Rolim, proprietária da Rolim Consultoria, foi ouvida nesta quinta-feira (11) pela comissão especial de investigação da Câmara Municipal de Betim em oitiva aberta ao público que durou mais de duas horas.
Segundo Rolim, a relação com a Rede de Proteção à Vida e à Saúde (REVISA) começou quando a entidade ainda se chamava Prolenha e trabalhava com fogões sustentáveis. De acordo com ela, o contato foi retomado em 2023, quando Solange Aparecida Silveira, procuradora da entidade, a procurou pedindo ajuda para regularizar a documentação da associação e buscar recursos públicos — e foi nesse momento, segundo Rolim, que a ideia de buscar emendas parlamentares surgiu.
Em meados de agosto de 2025, conforme relatado por Rolim, o vereador Toninho da Farmácia (PL) entrou em contato com ela dizendo que buscava uma associação da área da saúde para receber emenda parlamentar. Segundo a consultora, ela repassou o contato de Solange ao vereador e as tratativas seguiram diretamente entre os dois.
Segundo Rolim, com as emendas encaminhadas, a consultoria passou a elaborar os projetos. Ela disse que a Secretaria Municipal de Saúde definiu que os atendimentos deveriam ser de fisioterapia por indicação da diretoria de regulamentação, e não atendendo as demandas da própria comunidade. A consultora afirmou ter considerado a REVISA apta documentalmente, mas disse nunca ter visitado nenhuma das sedes da entidade e que desconhecia o fato de Solange ser funcionária pública.
Segundo Rolim, o contrato com a REVISA é de risco — os R$ 12.000,00 só seriam pagos após a aprovação dos processos. O presidente da comissão, Alexandre da Paz (MDB), questionou como a entidade pagaria esse valor sem nenhum recurso disponível, e Rolim respondeu que isso seria um problema de Solange resolver.
Sobre Salete Aparecida da Silveira, presidente formal da REVISA, Rolim disse ter pouco contato e não poder afirmar se ela teria condição de gerir os projetos. Durante a oitiva, Claudinho (PSB) afirmou que Salete não sabe nem o significado da sigla REVISA, e Ricardo Lana (PP) reforçou que ela não tem conhecimento sobre a entidade.
Alexandre da Paz informou que a representação ao Ministério Público aponta que cada indicação de emenda poderia resultar no retorno de 20% a 30% dos valores para os parlamentares. Rolim negou qualquer conversa nesse sentido, afirmando que encerraria a prestação de serviço imediatamente se isso tivesse ocorrido. Dudu Braga (PV) disse não conseguir compreender como vereadores destinam recursos a uma entidade sem ao menos visitá-la antes. O relator Ivanildo Petrovale (Cidadania) não compareceu por estar de atestado médico.