Vereador da oposição acusa Prefeitura de Betim de contratar instituto por R$ 2,7 milhões sem licitação

Denúncia foi feita na Câmara Municipal e cita a Fundação Beta como responsável pela contratação do Instituto Áquila sem concorrência pública

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Vereador da oposição denuncia contratação sem licitação de R$ 2,76 milhões pela Fundação Beta em Betim; prefeitura e aliados rebatem acusações.
Vereador Claudinho (PSB) usou a tribuna na última reunião da Câmara para fazer a denúncia — Foto: Henrique Carvalho

“Essa turma vai te pôr na cadeia”. A frase dita pelo vereador da oposição Claudinho (PSB), durante a reunião da Câmara realizada nesta terça-feira (14), marcou o tom de uma denúncia que gerou forte repercussão em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. O parlamentar afirmou que a Fundação Beta, ligada à Prefeitura de Betim, contratou o Instituto Áquila de Gestão por R$ 2,76 milhões por meio de inexigibilidade de licitação. O ato de autorização da contratação foi publicado no Órgão Oficial do Município, na edição nº 3253, datado de 8 de outubro.

A contratação, segundo o vereador, levantaria suspeitas por não apresentar, na visão dele, justificativa convincente para o uso do mecanismo de inexigibilidade, que permite contratações diretas quando não há possibilidade de competição. Claudinho alegou que há diversas instituições com capacidade técnica similar para prestar o mesmo serviço, como a Fundação Getúlio Vargas (FVG), o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT) e a Fundação CPQD.

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Além de questionar a legalidade do processo, Claudinho afirmou que o Instituto Áquila possui histórico de envolvimento em polêmicas, citando investigações em cidades como Palmas, Divinópolis, Americana, Brusque e Araguaiana, todas relacionadas a contratos com valores elevados. Segundo o vereador, o Instituto teria sido alvo de inquéritos e cancelamentos contratuais nessas localidades. Ele ainda criticou os gastos da Fundação Beta, que, de acordo com ele, utiliza mais de R$ 1,3 milhão por ano apenas com folha salarial e teria investido R$ 400 mil no evento de lançamento.

Reprodução do Órgão Oficial da Prefeitura Municipal de Betim publicado no dia 08 de outubro de 2025. — Foto: Reprodução/PMB

Defesa da base governista e da Fundação Beta

O vereador Tiago Santana (PCdoB), líder do governo na Câmara, afirmou que o processo de contratação do Instituto Áquila foi conduzido legalmente, com os requisitos formais exigidos pela modalidade de inexigibilidade, incluindo justificativa técnica e pesquisa de preços. Segundo ele, o procedimento é público e está sujeito à fiscalização dos órgãos competentes, como o Ministério Público.

O presidente da Fundação Beta, Nykison Linhares, reforçou que a contratação respeitou todos os trâmites legais e classificou as denúncias como tentativas recorrentes de desmoralização por parte do parlamentar. Ele afirmou que a fundação possui conselho fiscal e é submetida à fiscalização de órgãos de controle municipais, estaduais e federais.

Linhares também contestou informações apresentadas por Claudinho. De acordo com ele, o orçamento da Fundação Beta não corresponde aos R$ 18 milhões mencionados pelo vereador e a acusação de nepotismo feita anteriormente foi desmentida oficialmente em documento enviado à Câmara Municipal. Ele citou como exemplo de reconhecimento o recente destaque obtido por um projeto da fundação em evento da ONU (Organização das Nações Unidas).

Posicionamento do prefeito

O prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), publicou um artigo nesta quarta-feira (15) em seu site institucional defendendo a parceria com o Instituto Áquila. No texto, afirmou que o instituto é referência nacional e internacional em governança e desenvolvimento humano, com mais de 20 anos de experiência em cidades do Brasil e do exterior. Segundo Guimarães, o contrato firmado representa um investimento em boas práticas, capacitação de servidores e melhoria dos serviços públicos.

O prefeito Heron Guimarães (União Brasil) realizou a primeira reunião de trabalho com o presidente do Instituto Áquila, Raimundo Godoy, e a equipe técnica do instituto na última segunda-feira (13) — Foto: Reprodução/Site Heron Guimarães

O chefe do Executivo municipal argumentou que a atuação do Instituto Áquila permite o aprimoramento dos indicadores de desempenho da administração pública, sem abrir mão da responsabilidade fiscal. Ele também rebateu críticas feitas à parceria, afirmando que elas partem de uma “incompreensão passageira” sobre o papel do instituto, que segundo ele, não é apenas uma consultoria, mas uma aliada na construção de um modelo de gestão mais eficiente e transparente.

A reportagem do Portal Atalaia procurou o Instituto Áquila, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno.

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