Dívida da Prefeitura com IPREMB pode ultrapassar R$ 1 bi, diz Previdência

Valores foram identificados no cadastro do Pró-Regularize e serão auditados em conjunto pelo instituto e pelo Município, principalmente entre 2013 e 2020

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O Ministério da Previdência, por meio do Cadprev, apontou que a Prefeitura de Betim pode ter dívida de mais de R$ 1 bilhão com o IPREMB. Segundo o presidente do instituto, Alício Umbelino, os valores ainda serão auditados em conjunto com o Município, principalmente os de 2013 a 2020. Seis acordos de parcelamento já foram assinados após a Câmara aprovar a Lei 8.220/2026 em regime de urgência, com pagamento em 300 parcelas mensais a partir de outubro. Com base no Focus, o total pode ultrapassar R$ 4 bilhões até 2051.
Prefeitura Municipal de Betim — Foto: Henrique Carvalho
Prefeitura Municipal de Betim — Foto: Henrique Carvalho

A Prefeitura de Betim pode ter uma dívida previdenciária de mais de R$ 1 bilhão com o Instituto de Previdência Social do Município de Betim (IPREMB).

O valor foi identificado pelo instituto ao cadastrar o parcelamento no programa federal Pró-Regularize, usado para regularizar dívidas previdenciárias dos municípios.

O montante aparece registrado no Cadprev, sistema do Ministério da Previdência Social usado para acompanhar a situação previdenciária das prefeituras.

Segundo o presidente do IPREMB, Alício Umbelino, “esses valores ainda precisam ser auditados em conjunto com a Prefeitura, principalmente os referentes aos exercícios de 2013 a 2020, para apurar se as dívidas registradas nesse período realmente existem ou se houve algum erro de cadastramento no sistema”.

Mesmo assim, seis acordos de parcelamento já foram assinados nessa segunda-feira (31) e publicados no Diário Oficial nesta quarta-feira (2).

Cada acordo cobre um período diferente de contribuições apontadas como não repassadas ao instituto, alguns deles desde 1993.

O parcelamento foi possível depois que a Câmara Municipal aprovou, em regime de urgência, o projeto que deu origem à Lei nº 8.220, sancionada em 28 de agosto.

A pressa era necessária para o IPREMB conseguir cadastrar o acordo dentro do prazo do Pró-Regularize e obter o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) do Município.

Ao todo, os seis acordos somam R$ 1.074.762.476,74, que serão pagos em 300 parcelas mensais, com a primeira, de R$ 3,58 milhões, vencendo em 10 de outubro.

Os dois maiores acordos tratam de contribuições patronais apontadas entre 2010 e 2025, e entre 1993 e 2025, somando juntos quase R$ 497 milhões.

Outro acordo cobre o período de 2014 a 2015 e soma R$ 320 milhões, enquanto um quarto, de 2016 a 2020, chega a R$ 254 milhões — ambos de contribuição patronal.

Há ainda um acordo de R$ 3,6 milhões referente a valores descontados dos próprios servidores e não repassados, e um último, de apenas R$ 429,22, do período mais recente.

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Como o valor foi calculado

Segundo os acordos, cada dívida foi corrigida pelo INPC, índice de inflação calculado pelo IBGE, contado desde a data em que deveria ter sido paga até a assinatura do acordo.

Sobre esse valor corrigido, incidiram ainda juros de 0,47% ao mês, do tipo composto — quando os juros de um mês passam a render juros também no mês seguinte, como em um financiamento bancário.

Quanto a dívida pode chegar a valer

As 300 parcelas futuras também serão corrigidas todo mês, agora pelo IPCA, outro índice de inflação do IBGE, mais os mesmos juros de 0,47% ao mês compostos.

Isso significa que o valor da parcela cresce ano após ano, e o total pago até o fim do parcelamento, em 2051, será bem maior do que o valor apontado hoje.

O que diz a projeção do mercado

Para estimar esse valor futuro, o Portal Atalaia usou as projeções do Boletim Focus, do Banco Central, relatório semanal com a expectativa de mais de cem instituições financeiras para a economia.

Segundo o boletim mais recente, de 28 de agosto, o mercado projeta inflação de 5,01% em 2026, caindo para 4,28% em 2027, 3,80% em 2028 e 3,50% em 2029.

Aplicando essa trajetória até o fim do parcelamento, o valor total pago pela Prefeitura ao IPREMB pode somar cerca de R$ 4,1 bilhões — quase quatro vezes o valor apontado hoje.

Se considerados apenas os juros contratuais de 0,47% ao mês, sem contar a inflação futura, esse total ainda soma R$ 2,35 bilhões — mais que o dobro do valor original.

A primeira parcela, de R$ 3,58 milhões, será descontada diretamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), repasse federal mensal que serve de garantia ao IPREMB.

Essa vinculação significa que, se a Prefeitura não pagar a parcela por conta própria, o valor é retido direto do FPM antes mesmo de chegar aos cofres do Município.

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