Ela salvou uma criança e não voltou do rio

Priscila Álvares Pereira dos Santos, de 33 anos, foi localizada sem vida no Rio Delaware, em Nova Jersey, no dia em que completaria 34

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A betinense Priscila Álvares Pereira dos Santos morreu afogada nos EUA ao salvar uma criança, no mesmo rio onde havia sido batizada meses antes. Família busca ajuda para trazer o corpo a Betim.
Priscila havia sido batizada há dois meses no mesmo rio onde se afogou — Foto: Arquivo pessoal
Priscila havia sido batizada há dois meses no mesmo rio onde se afogou — Foto: Arquivo pessoal

Era uma tarde comum de segunda-feira (24) quando a betinense Priscila Álvares Pereira dos Santos decidiu levar os filhos até o rio que a família tanto amava, nos Estados Unidos. Poucas horas depois, aquele mesmo lugar se tornaria palco da sua despedida.

Priscila, de 33 anos, havia trabalhado durante a manhã e chegou em casa cansada. Ainda assim, escolheu passar a tarde com as crianças no Rio Delaware, em Delran, Nova Jersey — um refúgio que ela e outros brasileiros da região costumavam frequentar havia anos.

Foi ali, em meio à tranquilidade do passeio, que tudo mudou. Uma menina de 9 anos, filha de amigos do casal, começou a se afogar diante dos olhos de todos. Priscila não hesitou.

Ela entrou na água e nadou até a criança, empurrando-a com força em direção à margem. Pessoas que estavam por perto conseguiram puxar a menina para fora, em segurança. Priscila, no entanto, não teve a mesma sorte.

A correnteza a levou de volta para o fundo do rio. Ela submergiu mais uma vez, e dessa vez não foi possível encontrá-la. O corpo da betinense só seria localizado 24 horas depois — justamente no dia em que ela completaria 34 anos.

Para a família, o rio guardava um significado que vai muito além da tragédia. Segundo o irmão de Priscila, Guilherme Henrique da Rocha Álvares, que mora em Betim, aquele era um dos lugares mais especiais da vida da irmã nos Estados Unidos.

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Poucos meses antes de morrer, Priscila havia sido batizada bem ali, no mesmo trecho de água que testemunhou seus últimos instantes. Guilherme contou ao G1 que o local era usado pela comunidade cristã da região e que, para a irmã, aquele batismo marcou um recomeço espiritual: “há 2 meses ela tinha sido batizada justamente nesse mesmo local”.

Priscila, acompanhada do esposo, Alex, e dos filhos — Foto: Arquivo pessoal

A cunhada de Priscila, Ellen Cândido, também guarda a lembrança do instinto que moveu a betinense naquele momento. Em depoimento ao O Tempo Betim, ela descreveu o gesto da cunhada como algo automático, movido puramente pelo desejo de proteger: “entrou sem pensar duas vezes. Viu a criança se afogando e entrou no rio”.

Priscila deixou o marido, Alex Cândido do Nascimento, e os dois filhos do casal, de 3 e 9 anos. Havia cerca de quatro anos a família havia deixado Betim em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos, onde ela trabalhava como faxineira e o marido atua atualmente com entregas postais.

Consulado ajuda com documentos, mas não com o traslado

Diante da dor da perda, a família de Priscila também precisou enfrentar a burocracia que envolve trazer um corpo de volta ao Brasil. O consulado brasileiro em Nova York informou que pode auxiliar na emissão da certidão de óbito e nos trâmites de repatriação, mas não vai custear o traslado.

O Portal Atalaia procurou o Itamaraty para saber se existe alguma outra forma de apoio à família, mas, até o fechamento desta matéria, não recebeu resposta.

Uma comunidade se une pela família de Priscila

Foi a própria comunidade brasileira que vive em Delaware quem se mobilizou primeiro. Amigos e conhecidos organizaram uma vaquinha para arrecadar o valor necessário ao traslado do corpo, ao funeral e à viagem dos parentes que precisam se deslocar aos Estados Unidos.

A campanha também vai ajudar a custear o cuidado com o filho mais novo de Priscila, uma criança autista não verbal que agora cresce com a ausência da mãe. A arrecadação segue aberta para quem quiser contribuir com essa despedida. Clique aqui para fazer sua doação!

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