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O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), visitou nesta segunda-feira (24) a Escola Municipal Especializada Geny Carvalho Trindade, em Betim. A unidade, inaugurada no último sábado (22), integra o programa Betim Inclusiva – CIDADE e foi criada para atender estudantes com deficiência que precisam de suporte intenso.
Durante a visita, o prefeito Heron Guimarães (União Brasil) acompanhou o governador pelas salas de aula, clínicas e áreas de convivência da escola e explicou que o espaço vai muito além de uma construção nova para a rede municipal. “Não é simplesmente uma escola, não é simplesmente um prédio. Nós estamos inaugurando aqui um programa que se chama Betim Inclusiva, dividido em seis etapas”, afirmou.
Segundo o prefeito, a unidade agora entregue é a sexta e mais visível dessas etapas. O trabalho começou em 2025, com um diagnóstico que identificou 3.800 pessoas com deficiência na rede municipal — 80% delas classificadas como neurodivergentes, a maioria com necessidade de suporte 2 avançado ou suporte 3.
É justamente para atender esse público que a escola foi projetada. As aulas começam no dia 1º de setembro, com 357 vagas iniciais, número que a Prefeitura pretende ampliar para 500 já no próximo ano.
Para dar conta dessa demanda, o prédio reúne 17 salas de aula e 17 salas de atendimento clínico no mesmo espaço, além de jardim sensorial, sala de psicomotricidade e um ambiente próprio de apoio às famílias. “Nós temos aqui um verdadeiro plano de saúde para a neurodivergência”, resumiu Heron Guimarães, ao citar as oito equipes multissetoriais, com 72 profissionais entre psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, que vão atuar na unidade e também de forma itinerante em escolas regulares.
O prefeito lembrou ainda que a obra não teve um caminho simples. O prédio havia sido projetado inicialmente como uma escola de tempo integral, mas o conceito foi alterado para atender à demanda de inclusão, e a Prefeitura precisou trocar a construtora responsável em menos de seis meses para destravar uma obra que estava parada.
Essa estrutura só saiu do papel graças a um investimento de R$ 9,8 milhões do Governo do Estado, via programa Mãos Dadas — recurso que se soma aos mais de R$ 60 milhões repassados a Betim desde 2020 para a municipalização dos anos iniciais do ensino fundamental.
“Nós não temos no Brasil um exemplo como esse de escola especializada, em que a gente tenha os três âmbitos de atendimento reunidos num único lugar com essa estrutura”, declarou Mateus Simões, ao avaliar o modelo como referência nacional.
Para o governador, o principal ganho da unidade é justamente reunir sob o mesmo teto profissionais que normalmente atendem a criança separadamente. “A gente não pode falar: ah, isso você tem que ir lá na saúde. A necessidade da criança tem que ser atendida de forma completa”, disse, ao comentar a integração entre as áreas de educação, saúde e assistência social.
É por isso que a Prefeitura já planeja repetir a fórmula. Até 2028, outras duas unidades semelhantes devem ser construídas: uma no Imbiruçu, próxima ao Teresópolis, no lugar da atual UPA Teresópolis, que será realocada, e outra no espaço hoje ocupado pelo CRAEI. Também está em estudo um turno noturno para atender neurodivergentes que já são adultos.
Com a nova estrutura funcionando, a Secretaria de Educação também definiu quem vai estudar ali. “O suporte 1 continua na escola regular”, explicou a secretária Marilene Pimenta. Segundo ela, só os alunos com suporte 2 avançado e suporte 3 são direcionados para a nova unidade, e a mudança para quem tem suporte 2 depende da vontade da família.
A secretária explicou ainda que a definição do suporte necessário passa por avaliação médica ou pedagógica, feita pela equipe do CRAEI ou por profissionais externos, e que a nova unidade deve agilizar esses diagnósticos, já que reúne pediatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicopedagogos no mesmo prédio.
A ideia, segundo a secretária, não é isolar esses estudantes definitivamente. “Se ele progredir e se a família desejar, ele pode voltar para a escola regular também”, afirmou Marilene Pimenta, ao explicar que o acompanhamento pode ser reavaliado ao longo do percurso escolar do aluno.