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Uma briga interna de partido normalmente fica restrita aos bastidores. Desta vez não ficou. O confronto entre Vittorio Medioli e Nikolas Ferreira ganhou as redes e escancarou uma disputa de poder que o PL preferiria manter longe dos holofotes.
Tudo começou quando Vittorio, pré-candidato a deputado estadual pelo PL, deu uma entrevista à TV Betim nessa terça-feira (15). Ele sugeriu que Nikolas Ferreira, maior liderança do partido em Minas Gerais, teria interferido para colocar Flávio Roscoe como candidato a governador, mesmo com seu nome já aceito pela bancada federal e pela direção nacional da legenda.
A resposta veio um dia depois. Na noite desta quarta-feira (16), Nikolas Ferreira publicou um vídeo em seu canal oficial no WhatsApp criticando duramente um candidato que, segundo ele, faz campanha ao lado de adversários de esquerda. Ele não citou nomes na fala, mas as imagens não deixavam dúvida: mostravam Vittorio ao lado da candidata ao senado Marília Campos (PT) e do presidente estadual do PCdoB, Wadson Ribeiro. Para Nikolas, se dependesse dele, esse comportamento já seria motivo suficiente para expulsar o candidato da chapa.
O recado ficou ainda mais duro quando Nikolas afirmou estar cansado de gente que usa o nome de Bolsonaro e da direita durante a campanha para depois trair o grupo.
O que esse episódio mostra é que a escolha de Flávio Roscoe não fechou a questão dentro do PL mineiro. Pelo contrário: reacendeu uma disputa que estava apenas represada, e que agora vazou justamente pela boca de quem se sentiu preterido.
Fica também evidente o tamanho do poder que Nikolas Ferreira exerce sobre o partido no estado. Não é um deputado qualquer discordando de um colega de legenda: é a maior liderança do PL em Minas Gerais dizendo, publicamente, que expulsaria um candidato da própria chapa.
Para quem acompanha política em Betim, a pergunta que fica é uma só: o PL vai realmente expulsar Vittorio Medioli, ou tudo isso vai esfriar como costuma acontecer em época de eleição? A resposta vai dizer muito sobre quem, de fato, manda no partido em Minas Gerais.