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O restaurante Porteira Velha comemorou 37 anos com uma grande festa nesse sábado (26). Até aí, nada demais. Todo empreendimento tem o direito de celebrar sua história e reunir o público.
O problema é que a festa não terminou na madrugada. Terminou de manhã. Às 6h deste domingo (27), o cantor Nathanzinho Lima ainda estava em cima do palco, com o som alto chegando a vários bairros de Betim.
Quem mora nessas regiões passou a noite em claro. Trabalhador que precisava descansar, idoso, criança, gente doente. Todos foram obrigados a ouvir o show, quisessem ou não.
As poucas publicações sobre o evento nas redes sociais estão cheias de reclamações. Tem gente falando de desorganização, do atraso no início do show principal e até de roubos na região da festa.
Mas o que mais me chamou atenção foi o silêncio. Os perfis que sempre aparecem para criticar quando o barulho vem de um evento da Prefeitura de Betim simplesmente sumiram neste domingo. Nenhuma postagem, nenhum vídeo, nenhuma indignação.
Tenho certeza de que, se a festa fosse organizada pela prefeitura, esse seria o assunto do dia. Haveria enquete, vídeo de morador reclamando e cobrança de todo lado. E, diga-se, com razão.
O ditado é antigo e continua valendo: o pau que dá em Chico também precisa dar em Francisco. Som alto a noite inteira incomoda do mesmo jeito, seja o evento público ou privado.
Crítica que escolhe alvo deixa de ser cobrança e vira outra coisa. Fica a pergunta para quem se apresenta como voz da população: essa seletividade é descuido ou existem interesses que o público não conhece?
O morador que não dormiu merece a mesma atenção, não importa quem organizou a festa. Quem cobra só de um lado não está defendendo a cidade. Está defendendo outra coisa.