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A apuração do Portal Atalaia sobre a Rede de Proteção à Vida e à Saúde (REVISA) avança com um terceiro conjunto de elementos documentais que aprofundam o cenário já investigado pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) e pela comissão de investigação instaurada na Câmara Municipal de Betim.
Registros do portal de transparência da Prefeitura de Carmo da Mata mostram que Salete Aparecida da Silveira, presidente da REVISA, foi funcionária comissionada daquele município no programa de assistência à família de 2013 a 2018.
Nesse mesmo período, o MPMG investigava um esquema de notas fiscais frias na Secretaria de Assistência Social do município — exatamente o setor onde Salete trabalhava. O esquema envolvia uma empresa de armarinho local e resultou em ação de improbidade administrativa contra a então secretária, além de representação ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) envolvendo outros servidores e o próprio prefeito da época.
Salete Aparecida da Silveira aparece nos autos como testemunha — não como ré. Ela não foi acusada nem condenada.
O endereço cadastrado da empresa é a Rua Urucuia, 145, bairro Brasileia, Betim — a mesma rua onde a REVISA tem seu endereço oficial cadastrado, no número 352. O e-mail registrado no CNPJ da empresa é o mesmo endereço eletrônico cadastrado no CNPJ da REVISA.
A última ata da REVISA, lavrada em outubro de 2025, traz uma assinatura precedida pela indicação “P/” — o que significa que a presidente Salete não assinou o documento pessoalmente, tendo sido representada por outra pessoa.
O Portal Atalaia teve acesso a documentos assinados por Solange Aparecida Silveira e identificou semelhança entre essas assinaturas e a que consta na ata da REVISA. Segundo informações obtidas pelo Portal Atalaia, Salete reside atualmente em Carmópolis de Minas, o que poderia justificar a assinatura dos documentos pela procuradora em seu lugar.
Caso Solange possua procuração formal que a autorize a assinar em nome da presidente, nada há de irregular nisso. A questão será avaliada pela comissão de investigação instaurada na Câmara Municipal de Betim.
O Portal Atalaia segue acompanhando o caso e aguarda retorno da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Betim sobre o andamento da representação recebida pelo MPMG.