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A apuração do Portal Atalaia sobre a Rede de Proteção à Vida e à Saúde (REVISA) — associação de Betim para a qual foram destinadas emendas parlamentares somando aproximadamente R$ 3.726.912,60 e que teve o contrato cancelado pela Prefeitura em maio de 2026 — avança com novos elementos documentais que ampliam o cenário já investigado pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).
A reportagem teve acesso ao estatuto de fundação da entidade e à última ata registrada em cartório, obtidos no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Betim. O cruzamento desses documentos com dados da Receita Federal revelou que Solange Aparecida Silveira, que ocupou cargo comissionado na Câmara Municipal durante parte de 2025 e atualmente ocupa cargo comissionado na Prefeitura, tem como irmã a presidente da REVISA — entidade que receberia quase R$ 3,7 milhões em emendas parlamentares aprovadas pela Câmara.
Solange Aparecida Silveira ocupou cargo comissionado na Câmara Municipal de Betim de 2 de janeiro de 2025 a 16 de setembro de 2025. Conforme publicação no Órgão Oficial de junho de 2025, ela integrava a Comissão de Saúde da Casa — a comissão que atua na área para a qual as emendas foram posteriormente destinadas.
A presidente da entidade é Salete Aparecida da Silveira, irmã de Solange. O vínculo familiar foi comprovado documentalmente pelo Portal Atalaia a partir dos documentos obtidos em cartório e do cruzamento com a Receita Federal.
A última ata da associação, lavrada em outubro de 2025, traz a assinatura precedida pela indicação “P/” — o que significa que a própria presidente não assinou o documento, tendo sido representada por alguém não identificado nos documentos aos quais o Portal Atalaia teve acesso.
Ao consultar os dados do registro no portal da Receita Federal, o Portal Atalaia identificou que o nome cadastrado no órgão federal é Salete Aparecida da Silveira — divergente do sobrenome Santos com o qual ela assina documentos em cartório. A Receita Federal registra Salete Aparecida da Silveira como presidente da REVISA desde 6 de outubro de 2023, o que significa que ela já ocupava a presidência durante todo o período em que Solange atuou na Câmara Municipal. A divergência de sobrenome entre os dois registros oficiais foi o ponto de partida da apuração.

Os documentos obtidos em cartório revelaram ainda um dado que contradiz o que a própria REVISA afirmou em nota divulgada logo após as denúncias virem a público. Na nota, a entidade alegou atuar há 14 anos em prol de Betim.
A mudança de nome para REVISA e a reformulação do objeto social ocorreram ao longo de reformas estatutárias posteriores à fundação. A terceira e mais recente reforma — que consolidou o foco em saúde, assistência social, esporte e cultura — foi lavrada em outubro de 2025, pouco mais de dois meses antes das emendas serem votadas na Câmara e cerca de sete meses antes do contrato firmado com a Prefeitura.
O Portal Atalaia segue acompanhando o caso e aguarda retorno da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Betim sobre o andamento da representação recebida pelo MPMG.